quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Novo momento Editorial


As alternativas de auto-publicação explodiram de tempos para cá e várias  editoras e pequenas gráficas colocaram-se à disposição dos novos autores.

4 comentários:

Ermelinda Silva disse...

ERMELINDA DE JESUS SILVA - ESCOLA


Escola, espaço verde, cheio de calor,
Escola, pátio puro, palco de amor,
Escola, lonjura, beleza, fruto e cor,
Escola, átrio limpo, claridade, dor...

Escola, rio, pressa, riso aberto,
Escola, altura rasa, passo, roda,
Escola, viagem, longe, perto,
Escola, livro novo, nova moda...

Escola, paz, prodígio, liberdade,
Escola, conto as letras, à vontade,
Escola, caminho cheio de vaidade,
Escola, terra cheia, tenra idade...

Escola, paraíso, multidão,
Escola, toada de alegria, confusão,
Escola, banquete, tudo à mão,
Escola, a que muitos dizem Não...

Escola, escada, minuto do passado,
Escola, presente, mar sem fundo,
Escola, marco, futuro incendiado,
Escola, luzeiro deste mundo...

Escola, aventura, alma encantada,
Escola, mil vezes, malfadada...
Escola, folha branca, amarrotada,
Escola, berço, mãe abençoada!

Ermelinda Silva disse...

Ermelinda de Jesus Silva-AOS POETAS

Ficam à margem os poetas
Cala-se a voz da surpresa;
São vadios nas ideias,
De coisas belas e feias,
Farta é a sua mesa.

Vêm de dentro do mundo!
São janelas habitadas
Onde limpa passa a luz
Como ouro que reluz
Na direcção das passadas.

Ficam no cais os poetas
Tecelões do pensamento;
Tesouros engavetados,
Filhos do vento isolados,
No futuro do momento.

Vêm do céu, das estrelas
Doutras orbes lá de cima!
Com astros tecem poemas,
Com estrelas fazem esquemas,
Com as palavras a rima.

De encantos andam perdidos:
Moram à beira do rio!
Têm asas de borboleta,
Na terra são um cometa
Na vida um desafio!

Quando no cais ancorados
O tear vai sempre dentro
Com a caixinha dos sonhos
Mal passa um leve vento
Dão largas ao pensamento
Da alma sai um poema!

Ermelinda Silva disse...

Ermelinda de Jesus Silva - VELHICE



A criança mora lá como no berço primeiro
do ventre da Mãe antes de nascer.

Cresceram as estações, passaram os dias,
viveram as horas, os dias, os anos…

Às festas da Vida vinham sempre jovens,
De sorrisos e abraços, de vitórias e cansaços
de trabalhos e canções.

Edificaram templos, construíram pontes, abriram caminhos,
cultivaram campos…
Cozinharam sonhos nos carris!

Eram leves as montanhas que se vinham pendurar pela noitinha
Nas latadas do vale amadurecido.

Chove no corpo como cai nas pedras da calçada!
Esburacada está a ladeira que os pés gastaram noutras horas.

Tropeçam os pardais nas espigas de reis e rainhas
E não colhem o milho oferecido.

A testa enrugada, os pés com raízes pegadas à terra,
O olhar branco do princípio preso ao silêncio
Cor de oiro!

Rosana Varela disse...

Rosana Varela - VENDAVAL

Se me faz bem,
Trago pra perto de mim
Num sopro leve de brisa
Devagar, pra que decida calmamente
Se quer minha companhia
Se me faz mal,
Prefiro soprar pra bem longe
O que não me apetece mais
O que não me faz sorrir
Deixo que se perca,
Voe longe, num vendaval de esquecimento.