Outras águas terá os nomes dos autores na contra-capa. Assim ficou decidido por meio da nossa primeira enquete, com 90% dos participantes (em 30 votos). Vou fazer um projeto do que tenho em mente e espero que gostem (ou que me digam no que melhorar, naturalmente)... E assim a gente vai construindo o livro juntos, fica mais interessante para nós todos.
Outro assunto, que comentei com vocês anteriormente, é que a partir do XXV Concurso queremos disponibilizar de antemão (antes do envio dos textos pelos autores) o nome do livro que será publicado mais adiante, para que ele sirva como um tema - aos autores que desejarem utilizar um tema. A minha espectativa é de que alguns de vocês se proponham a usar isto a favor de vocês, e pode ficar interessante ter alguns textos do futuro livro norteando seu nome. Claro que não será obrigatório o uso do tema, caso não queiram. E eu já tenho um, para o livro do Concurso XXV, que ainda nem teve sua chamada publicada... Será que digo?
Bom, lá vai...
Sou muito adepta de um autor que é Gaston Bachelard, e adoro o estudo que ele fez com a fenomenologia poética. E eis que, como "artista" me interessa muito a representação do espaço. Então pensei no seguinte tema: Casa lembrada, casa perdida. Acho que podem surgir muitas estórias e poemas interessantes com as lembranças que temos das nossas casas de infância, ou mesmo de um passado mais próximo, pois as lembranças muitas vezes habitam um lugar, que não existiu essencialmente como o recordamos, mas que está presente e vivo em nós. É claro que a casa também pode ser o corpo, ou qualquer outro lugar que habitemos com a nossa imaginação.
Só para finalizar, tem um trecho do livro A poética do espaço, do Bachelard, em que ele coloca uma citação de Rilke, e é assim:
"Não tornei mais a ver essa estranha morada. Tal como a encontro em minha lembrança de visão infantil, ela não é uma construção; está fundida e repartida em mim: aqui um cômodo, ali outro cômodo e acolá um fundo de corredor que já não liga esses dois cômodos, mas conservou-se em mim como um fragamento. É assim que tudo se difundiu em mim, os quartos, as escadas que desciam com lentidão tão cerimoniosa, outras escadas, vãos estreitos subindo em espiral, em cuja obscuridade caminhávamos como o sangue nas veias".
Rilke, Les cahiers de Malte Laurids Brigge, trad. francesa.
um abraço, e Bons textos!





1 comentários:
Olá Luciana, estou encantada com a proposta das edições AG, achei uma sacação interessante este título e estarei enviando poemas meus para apreciação de vcs.
Abraço
renata
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